sexta-feira, 26 de março de 2010
38ª edição do Mundial de Cross-Country
quinta-feira, 25 de março de 2010
Pitacos de Cross-Country
Trago a seguir destaques, dicas, história e algumas questões de uma das provas mais interessantes do calendário do Atletismo no Mundo, pra começar vamos com um ping-pong de perguntas e respostas rápidas:
+ o que raios é cross-country?
Cross-country é uma modalidade do atletismo que se resume por uma corrida em terreno acidentado, não-pavimentado, que pode significar passagem pela grama, areia, lama e água.
+ quem compete e quanto correm?
Existem várias categorias do cross. nos estados unidos, a prova tradicional é a de 100 milhas. na Europa, as provas montanhosas tem mais destaque.
O mundial é dividido em provas júnior e senior/adulto, tanto no masculino, quanto no feminino, mas a IAAF não estipula uma metragem oficial para as provas corriqueiras, no mundial, as distâncias são: para as mulheres, 6km junior e 8km adulto, e para os homens são 8km junior e 12km adulto.
Um detalhe interessante, ou até, o mais interessante do cross é que além da disputa individual, o cross é disputado por equipes (de 5 a 9 componentes) e para os rivais africanos, quando se perde o título individual, vale roubar o prêmio por equipes.
+ de onde surgiu esta bodega?
a origem é britânica da metade do século XX, mas o "corta-campo", em tradução literal, tem uma origem oficial, uma adaptação da corrida com obstáculos no campo e outra muito mais curiosa e interessante, que diz que o cross-country teria surgido como um"cata-papel". Juntando as duas histórias, dá pra dizer, que as universidades inglesas disputavam provas contra o relógio pelos campos e o esporte ganhou tanto espaço que foi parte do programa olímpico de 1912, 1920 e 1924. Na década de 1960, a IAAF reconheceu o esporte e desde 1973, temos as edições do Mundial.
+ tem isso no Brasil?
tem sim... mais uma vez temos equipe indo disputar o mundial, história que começou em 1985.
+ feras, destaques e grandes nomes, quem são?
Como em todas as corridas de longas distância, os africanos tem o domínio do ranking, mas ao longo do tempo, sempre pintaram grande nomes europeus, como Carlos Lopes, português campeão da Maratona nas Olimpíadas de Los Angeles, 1984 e curiosamente, último não-africano a vencer o Mundial. No caso das mulheres, as africanas não tem tanto sucesso. A maior campeã é a norueguesa Grete Waitz, pentacampeã, algumas americanas, espanholas e a inglesa Paula Radcliffe, atual recordista mundial da Maratona.
Voltando aos africanos, Paul Tergat, aquele mesmo que fez você se lembrar dos dias 31 de dezembro e todos os preparativos para a virada do ano... quando ligava a televisão tinha queniano magrinho ganhando a São Silvestre e você bêbado dizia que brasileiro não era de nada!
Então, dizia eu que Paul Tergat é o maior nome do cross-country! Ele é o primeiro e pentacampeão consecutivo e ainda tem 8 títulos por equipes. Seu principal concorrente é... Kenenisa Bekele, seis medalhas de ouro individuais (penta consecutivo também) na prova longa, mais 5 na prova curta (passagem dos 6km).
E pensa que são só esses? Que tal falar em Haile Gebrselassie, atual recordista mundial da maratona, tem medalhas de prata e bronze quando junior, na década de 1990. E você pode escolher outros nomes Zersenay Tadese, William Sigei...
E as mulheres? Apesar do domínio geral não ser africano, nos últimos anos surgiu uma favorita: Tirunesh Dibaba, etíope que sempre que não sofre contusões briga pelo ouro e já tem 3... Por falar em Dibaba, anote esse sobrenome, sua irmã Genzebe Dibaba já é bicampeã e parece não ter adversária...
Mas vamos deixar as feras atuais para o próximo post...
Ficou dúvida, não joga no google não... comenta aqui que eu responderei semana que vem...
Ou melhor, assista a transmissão do Sportv2, neste domingo, com Claudio Uchoa e Lauter Nogueira, a partir das 8 da manhã.
No próximo post, trarei os detalhes da prova desse ano!!
Abraaaaaaços
quarta-feira, 24 de março de 2010
Balanço POSITIVO de Medellín
Pois é, o resultado foi bom mesmo, você pode escolher como quer ler a notícia:
- Brasil lidera ranking de pontos
- Brasil campeão em número de medalhas
- Brasil ganha mais medalhas de ouro
- Brasil mantém hegemonia de quatro décadas no continente
- Mulheres brasileiras seriam vice-campeãs se fossem um país independente!
É isso mesmo, as mulheres brasileiras foram um show a parte em Medellín, anote aí, das 42 medalhas brasileiras, 24 foram das mulheres; das 13 medalhas de ouro brasileiras, 10 foram das mulheres (uma a menos que a seleção colombiana completa).
Os destaques foram Ana Claudia Lemos que conseguiu igualar o recorde sul-americano dos 100 metros rasos, um dos poucos bons resultados nas provas de pista/velocidade. Mas o Brasil está voando mesmo é no campo: saltos e arremessos parecem ser a nova moda da meninada. Já tinha percebido isso no Mundial de Menores em julho de 2009 e agora, mais uma vez, podemos ver essa nova soberania: Brasil, o país dos saltos!
Números do Brasil em Medellín:
Pódios/Medalhas: 42 do Brasil, 34 da Colômbia e 15 da Venezuela.
Títulos/Ouro: 13 do Brasil, 11 da Colômbia e 6 da Venezuela.
Pontos: o Brasil venceu com 378, contra 287 da Colômbia e 133 da Venezuela.
Medalhas: 13 de ouro, 18 de prata e 11 de bronze.
As mulheres ficaram com 10 ouro, 10 prata, 4 bronze.
Os homens ficaram com 3 ouro, 8 prata, 7 bronze.
Lista de medalhas do Brasil em Medellín:
OURO
Valdiléia Martins (salto em altura) 1,83 m
Fernanda Borges (lançamento do disco) 55,68 m
Sara Pereira (salto com vara) 3,85 m
Allan Wolski (lançamento do martelo) 61,17 m
Tatiele Carvalho (5.000 m) 17:13.53
4x100 m 44.47 (Vanusa Santos, Vanda Gomes, Ana Claudia Lemos e Franciela Krasucki)
Diego Araújo (decatlo) 7.204 pontos
Augusto Dutra (salto com vara) 5,00 m
Jéssica Santos (800 m) 2:09.72
Ana Cláudia Lemos Silva (100m) 11.33
Andressa Morais (martelo) 55,95 m
Bárbara de Oliveira (400m) 53.38
Ana Beatriz Esperança (salto em distância) 5,99 m
PRATA
Laís Gabriela Silva (salto em altura) 1,77 m
Jean Casimiro Rosa (salto triplo) 16,22 m
Lucas Ivan da Silva (lançamento do dardo) 65,30 m
4x400 m 3:40.68 (Bárbara Leôncio, Eliane Paixão, Ana Cláudia e Bárbara Oliveira)
4x400 m 3:07.11 (José Guilherme de Oliveira, Hederson Estefani, Henrique Souza e Helder Corrêa)
Andressa Morais (lançamento do disco) 53,28 m
Raissa Schubert (salto com vara) 3,80 m
Bianca Santos (salto triplo) 13,20 m
Cynthia Alves (heptatlo) 5.187 pontos
Pedro de Almeida (decatlo) 7.020 pontos
Cléber Damião (salto com vara) 4,80 m
Daniel Chaves (10.000 m) 31:03.27
Geisiane Mandelli (800 m) 2:10.98
Lutmar Paes (800 m) 1:47.52
Vanda Gomes (200 m)
Carla Michel (martelo) 55,42 m
Hederson Estefani (400m) 46.85
Anita Souza (100m com barreiras) 13.69
BRONZE
Rafaela Gonçalves (lançamento do dardo) 52,27 m
Jenifer do Nascimento Silva (1.500 m) 4:40.90
Eliane Paixão (400 m com barreiras) 1:00.89
4x100 m 40.60 (Gustavo Santos, Rubens Quirino, Helder Corrêa e Jonathan Silva)
Caio Bonfim (marcha 20.000 m) 1:33:05.1
Gilberto Lopes (10.000 m) 31:22.33
Lourival de Almeida (salto em distância) 7,45 m
Diomar Noêmio (800 m) 1:50.14
Bárbara Leôncio (200 m) 23.86
Rubens Quirino (200 m) 21.29
Helder Corrêa (400m) 47.40
Fechando Medellín com chave e medalha de ouro!
No salto em altura, Valdileia Martins, 20 anos, atingiu 1,83m, sua melhor marca pessoal, e ficou com o ouro. A prata foi de Laís Silva com 1,77m. Detalhe: a melhor brasileira em atividade, Monica Freitas, 25 anos, tem 1,84m como melhor marca pessoal.Hoje o Brasil faturou outras seis medalhas, 4 foram as pratas de Jean Rosa, salto triplo; Lucas Silva, no arremesso de dardo; e nos revezamentos 4x400m masculino (equipe formada por José Oliveira, Hederson Estefani, Henrique Souza e Helder Alves) e 4x400m feminino (de Bárbara Leôncio, Elaine Paixão, Ana Cláudia Lemos e Bárbara Oliveira). E as 2 bronzeadas são Rafaela Goncalge, no arremesso de dardo e Jenifer Silva, nos 1500m.
Parabéns a todos os atletas que representaram bem o Brasil. Traremos amanhã um balanço melhor da participação brasileira em Medellín, mas é fato que os atletas da nova geração mostraram resultados expressivos no campo, ainda assim, dá pra dizer de cara que faltam bons velocistas e que a tendência está se confirmando: as mulheres vão dominar o atletismo brasileiro!
Abraços!!
segunda-feira, 22 de março de 2010
dobradinhas e mais conquistas em Medellín
Domingo de pódio em Medellín
O ouro de Augusto Dutra Oliveira, atleta juvenil cuja idade é difícil de achar na internet, no salto com Vara masculino levou o ouro com bravos 5 metros cravados... não que este cronista vá mais alto (nunca testei, apesar da vontade), mas para efeito de comparação, o recorde sub-23 é de 5,17m com Fábio Gomes, principal nome brasileiro, e nenhum brasileiro tem marca melhor em qualquer torneio recente sub-23 ou juvenil...Meia-maratona de NY, uma história a parte

Na prova feminina, vitória e recorde da britânica Mara Yamauchi com novo recorde da prova: 1h09m25s, sendo 18 segundos abaixo do recorde da prova que era de 2006. Até aí, nada anormal, mas a vitória da experiente atleta teve alguns "requintes de crueldade", como costuma dizer o amigo Lauter Nogueira.
Primeiro, o pega sensacional entre Yamauchi, 36, e a americana Deena Kastor, 37... faltou fôlego para Kastor e sobrou para Yamauchi, lembrando que as duas vem de uma temporada 2009 muito ruim, marcada por contusões. Ah, e a terceira colocada foi a mexicana Madaí Pérez, chegando apenas 20 segundos atrás das concorrentes e 10 meses depois de dar a luz ao segundo filho.
E a prova masculina não ficou por menos. Os americanos contavam com a presença do mega-campeão Haile Gebrselassie, que nunca tinha perdido uma prova em solo americano, até então... até então... Pouco depois da metade da prova, Gebr (parceiro Gebr, porque dá trabalho lembrar e escrever o nome todo do etíope) voltou a sentir sintomas de um velho e incômodo problema: asma!
Pois é, o multi-campeão e multi-recordista Gebr sofre de asma... E não é o único monstro das provas de resistência que sofre desse mal, coincidência ou não, Paula Redcliffe (tricampeã da Maratona de NY e recordista mundial da Maratona Feminina) também é asmática...
No início do ano, após vencer a Maratona de Dubai, Gebr (gostei disso) cogitou uma possível aposentadoria no fim da temporada, mas antes, ele ainda quer buscar o novo recorde mundial, que pode sair nas ruas de Berlim, melhor circuito de Maratona do mundo.
Ah, o vencedor foi o queniano Peter Kamais, um famoso quem que conseguiu seu primeiro resultado expressivo na carreira, pena que aos 34 anos. O melhor da vitória do queniano é o destino do seu prêmio de 20 mil dólares: vão para os quatro filhos que vivem em condições precárias em Eldoret, no Quênia. Moses Kigen Kipkosgei, também do Quênia, foi segundo, e o melhor americano foi Mohamed Trafeh, americano com esse nome, repetindo, Mohamed Trafeh, foi terceiro. Esse menino é marroquino de nascimento, ok?!
Ah, e o menino Marilson Gomes dos Santos foi 9º colocado e disse que esperar crescer durante as competições do ano, a começar pela Maratona de Londres.
Abraços!!
domingo, 21 de março de 2010
Rapidinhas desse mundinho
A grande notícia internacional do domingo foi o estabelecimento do novo recorde mundial de meia-maratona, graças ao "veloz da Eritreia" Zersenay Tadese. (Eritreia sem acento graças à reforma ortográfica)

Tetracampeão mundial da prova e principal ameaça ao multi-campeão, o etíope, Kenenisa Bekele, Tadese venceu neste domingo a meia-maratona de Lisboa com 58m23s, diminuindo em 10 segundos a marca anterior, que era do queniano (nova ameaça aos dois) Samuel Wanjiru.Outro grande feito de Zersenay Tadese foi quebrar a marca dos 20km, pertecente desde 2006 a outro monstro da longa distância (e etíope também) Haile Gebreselassie.
E por que raios tanta atenção aos africanos que sempre ganham tudo nas provas longas? Porque no próximo domingo, teremos a 39ª edição do Mundial de Cross-Country, em território europeu, numa cidade polonesa impronunciável (pelas consoantes) e "inescrevível" (pela memória, procura no google aí).
Essa semana, traremos um bom resumo do que é o cross-country, grandes atletas (incluindo todos esses aí e alguns outros como Paul Tergat, lembra dele?) e aspectos interessantes dessa que é uma das provas de base mais importantes para os fundistas e maratonistas... e os brasileiros nessa prova... taí porque só temos um bom resultado na rebarba dos africanos...
Isinbaeva de bem com a vitória
A russa e musa Elena Isinbaeva (para quem escreve e fala russo Елена Гаджиевна Исинбаева, Elena Gadžievna Isinbayeva ou até mesmo,) fez as pases com a vitória hoje num meeting em Moscou. Ela saltou 4,85 (sim, mais que o recorde sul-americano) numa prova indoor e voltou a vencer. ela ainda teria tentado saltar 5 metros, mas falhou e saiu aplaudida.
Pra que não sabe, só Svetlana Feofanova já saltou acima de 4,85m, depois, todas as marcas de Isinbaeva... Nossa brava campeã mundial Fabiana Murer se aproxima cada vez mais dos 4,85 o que a colocaria como a 2ª melhor atleta da história.
Vitória e homenagem em Roma
Essa é fraca, e vem mais para constar um fato histórico: o etíope Siraj Gena faturou a Maratona de Roma (vem aí o circuito das Grandes Maratonas a partir de Abril) com pouco mais de 2 horas e 8 minutos de corrida.O grande fato foi que a 500m do fim, Gena, de 25 anos, tirou os calçados que usava e ultrapassou a linha de chegada descalço, homenageando o compatriota Abebe Bikila, que há 50 anos venceu descalço a maratona dos Jogos Olímpicos de Roma.
No feminino, vitória da também etíope Firehiwot Dado.
Bom começo em Medellín
A cearense de 21 anos alcançou 11.17 segundos com vento de 1,4m/s na semifinal da prova dos 100m rasos estabelecendo a melhor marca mundial do ano (isso mesmo, líder do ranking mundial da prova!) e igualando o recorde sul-americano, estabelecido por Lucimar de Moura em 1999 (com vento 0.3m/s).Na final, Ana Claudia Lemos da Silva, esse é o nome completo da fera que treina em São Paulo, faturou a medalha de ouro com 11.33, deixando prata e bronze para duas atletas colombianas. A outra brasileira na prova foi Franciela Krasucki, que terminou em quinto, com 12.27.
As outras três medalhas de ouro brasileiras foram conquistadas por mulheres: Andressa Morais (juvenil de destaque nas provas de arremesso) no lançamento de martelo, Ana Beatriz Esperança no salto em distância (saltando 5.99) e a promessa juvenil Bárbara de Oliveira (não é a Bárbara Leôncio, essa é outra), que faturou os 400 metros rasos.
Carla Michel - prata no arremesso de martelo
Hederson Estefani - prata nos 400m masculino
Helder Correa - bronze nos 400m masculino
Anita Souza - prata nos 100m com barreiras
Hasta luego!
sexta-feira, 19 de março de 2010
Um novo espaço
Tentarei trazer aqui, informações, dicas, opiniões e detalhes que podem passar despercebidos no cotidiano da cobertura do mundo do atletismo. Este, se pretende ser um espaço democrático de manifestação de notícias, resultados, informações, dicas e opiniões sobre o fascinante e mais antigo esporte.
Toda colaboração é bem vinda!
Buscando sites e informações no Brasil, percebi a carência de sites especializados no Brasil... Temos alguns excelentes links listados ao lado como o Copacabana Runners, WebRun. Além do site da Confederação Brasileira e alguns outros, como o recém-chegado blog da campeã Maurren Maggi... Além disso, temos os estrangeiros não menos excelentes All-Athletics e o site da Federação Internacional, IAAF. Enfim, não venho concorrer, venho completar.
Assim, dou o pontapé inicial nesse novo projeto: esportistas, boa sorte!
